domingo, 27 de fevereiro de 2011
Vinicius de Moraes - Sobre poesia
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Jorge Elias
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Das sombras
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Jorge Elias
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domingo, 13 de fevereiro de 2011
A SANTÍSSIMA TRINDADE
A SANTÍSSIMA TRINDADE
( Texto publicado originalmente no Jornal A GAZETA em 06-08-10)
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Jorge Elias
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Felipe Stefani
Todo homem tem uma beleza terrível
na órbita de seu abismo.
Ela alcança sua própria distância
e diz adeus.
Aqueles que a procurarem
nas horas que dançam
ouvirão anjos.
Ela dança num círculo místico,
nas correntezas que abrigam o mundo.
Aqueles que a alcançarem
ouvirão anjos.
Nunca mais amou os presságios,
os perigos do mar,
o medo.
Para além das margens ele morreria.
Esqueceu em si mesmo seus cantos profundos.
Todo homem tem uma dinastia
cravada em seu silêncio.
Aqueles que a alcançarem
ouvirão anjos.
Felipe Stefani é poeta, artista plástico e fotógrafo. Nasceu em São Paulo em 1975. Já fez de tudo, até biologia, maz foi na arte que encontrou meios de se relacionar com o mundo, como que dentro de um silêncio lírico... Tem ilustrado livro de outros escritores e já publicou seus poemas em diversos sites literários. Em 2009 publicou o livro “O Corpo Possível”, editado pelo coletivo Dulcinéia Catadora. Ilustrou “Rascunhos do absurdo” de Jorge Elias Neto. Em 2010 publicou “Verso Para Outro Sentido”, pela Escritura Editora. Tem seus desenhos publicados no site: WWW.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani
Escreve também em seu blog: http://cultuar.blogspot.com/E-mail: felipe.stefani@uol.com.br
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Jorge Elias
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domingo, 30 de janeiro de 2011
Manhã de mais um dia
Um papel amassado
jogado na calçada da vida
os transeuntes passam...
Ele os observa.
O que traz escrito
foi mantido em segredo
pelas mãos que o desprezaram
era branco há poucas horas....
Já não o é mais.
Nele se misturam as marcas
de tantas angústias deixadas incógnitas
nesta manhã de mais um dia.
O vento o lança entre asfaltos e esquinas
o homem o pisa e chuta
sempre novas marcas....
O melhor que pode esperar
é que a reciclagem lhe devolva a dignidade
mas o que traz escrito não importa?
E as lições das ruas não interessam ao homem?
Talvez considerem que suas verdades devam ser mesmo esquecidas
o que se deixa nas ruas são os dejetos do inconsciente.
Com o passar das horas,
com o passar das ruas,
com o passar das vidas
já é o papel uma massa compacta, enegrecida e densa
perdeu sua pureza,
deixou de ser leve.
Foi-se o branco ariano da hipocrisia.
Ficou a verdade negra
crua, incontestável, verdadeiramente humana.
Deixou de ser papel,
passou a ser lixo
rico em sabedoria,
esquecido na sarjeta
de mais um dia.
Jorge Elias Neto
(Verdes versos - 2007)
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domingo, 23 de janeiro de 2011
Gilles Deleuze
Fragmento de entrevista de Gilles Deleuze
(L´Autre Journal, outubro de 1985)
in: Conversações -Gilles Deleuze - editora 34
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Dante Milano
Salmo perdido
Dante Milano
Creio num deus moderno,
Um deus sem piedade,
Um deus moderno, deus de guerra e não de paz.
Deus dos que matam, não dos que morrem,
Dos vitoriosos, não dos vencidos.
Deus da glória profana e dos falsos profetas.
O mundo não é mais a paisagem antiga,
A paisagem sagrada.
Cidades vertiginosas, edifícios a pique,
Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais.
Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais,
As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais,
Deus não nos reconhece mais.
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Papo de passarinho
Papo de passarinho
o vento do outono
como um pássaro que passa
partiu sem adeus
outono ou inverno?
caem as folhas confusas
no seio materno
algo mais perfeito?
as folhas mortas no campo
fecundam a terra
Ou ainda no Senryu, uma variação mais irônica do haikai clássico:
da fruta que eu gosto
a namoradinha dela
chupa até o caroço
VIII
XIII
Jorge Elias Neto
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
1°de janeiro
Um poema já conhecido de muitos que acompanham este blog.
Mas não tenho nada mais significativo para postar neste momento ...
1°de janeiro
Após o pão e circo,
sigo em busca da ciência de desinventar.
No vazio do salão amanhecido
ainda ressoam os ecos dos champanhes,
os alaridos esperançosos,
os sussurros de cumplicidade.
De sólido,
ficaram os confetes e serpentinas,
que nada entendem da solidão.
(do livro Rascunhos do absurdo)
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
CONVITE - COLETÂNEA NA PAISAGEM DOMÉSTICA - PORTAL CRONÓPIOS
Convido para leitura de uma coletânea de meus poemas entitulada Na paisagem doméstica
no Portal Literário Cronópios. http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4845
Aproveito para desejar à todos um fim de ano de descanso e harmonia.
Muita saúde, felicidade e poesia em 2011.
Muito amor e atitude ética.
Beijo para todos.
Jorge Elias Neto
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8:58 AM
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domingo, 12 de dezembro de 2010
Nydia Bonetti
na rota dos meus sonhos
ainda te encontro
con sus guitarras y cantos
sus poemas de arcilla y piedra
minerales y hojas
ojos de tabaco y doçura
manos de esperanza
fuegos de ternura
habana
(reconheço-me ilha)
cenizas de lo que soñé
setembros
o tempo
corrói a vida pelas bordas
insaciável
já devorou
mais da metade do que sou
[...ou do que fui?
e nos setembros
ele arranca pedaços
inteiros
Nydia Bonetti, 1958, do interior de São Paulo, poeta e engenheira civil, tem poemas publicados na Revista ZUNAI e outras mídias eletrônicas. Bloga no LONGITUDES, trabalha atualmente no projeto do seu primeiro livro, ainda sem título definitivo.
blog: http://nydiabonetti.blogspot.com/
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
FERNANDO PESSOA
A loucura chamada afirmar, a doença chamada crer, a infâmia chamada feliz - tudo isto cheira a mundo, sabe à triste coisa que é a terra.
Sê indiferente. Ama o poente e o amanhecer, porque não há utilidade, nem para ti, em amá-los. Veste teu ser do ouro da tarde morta, como um rei deposto numa manhã de rosas, com Maio nas nuvens brancas e o sorriso das virgens nas quintas afastadas. Tua ânsia morra entre mirtos, teu tédio cesse entre tamarindos e o som da água acompanhe tudo isto como um entardecer ao pé de margens, e o rio, sem sentido salvo correr, eterno, para marés longínquas. O resto é a vida que nos deixa, a chama que morre no nosso olhar, a púrpura gasta antes de a vestirmos, a lua que vela o nosso abandono, as estrelas que estendem o seu silêncio sobre a nossa hora de desengano. Assídua, a máguo estéril e amiga que nos aperta ao peito com amor.
Meu destino é a decadência.
Meu domínio foi outrora em vales fundos. O som de águas que nunca sentiram sangue rega o ouvido dos meus sonhos. O copado das árvores que esquece a vida era verde sempre nos meus esquecimentos. A lua era fluida como água entre pedras. O amor nunca veio àquele vale e por isso tudo ali era feliz. Nem sonho, nem amor, nem deuses em templo, passando entre a brisa e a hora una e sem que soubesse saudades das crenças mais bêbadas, mas escusas.
Fernando Pessoa
(Livro do desassossego - Companhia das Letras)
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Massa
Para uns,
ruínas – degredo.
Para outros,
planície Divina,
colinas de nuvens.
Eu,
banido pela consciência,
permaneço – altivo.
Massa amorfa
dentre os dejetos
do Universo.
Jorge Elias Neto
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sábado, 27 de novembro de 2010
das sombras
já é um desencontro.
(Vestia seu corpo
com as rendas da íris...)
Restam noites de dilatadas pupilas
a vasculhar indícios do derradeiro gozo.
No horizonte dos lençóis,
a sombra da silueta persiste.
Como persiste os miasmas
dos pés enlaçados.
Só miragem na depressão do leito.
E um em torno de sombras devassas.
Jorge Elias Neto
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Fotografia
Rosto obliquo – velado
Desvio na fenda da fala
Gestos sem crias
Vazias mãos incestuosas
Obscuras manchas
na pele clara
Mãos em posição de intriga
Coto de vela escorrida
nos cabelos de fogo
Ombro suspenso,
derradeiro encosto
Olhar fitando intervalos
Sob um fundo de rosas
o sol posto
Jorge Elias Neto
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Antonio Carlos Secchin
do nada ao nada, e do nada ao restante.
Viver era tanger o instante, era linguagem
de se inventar o visível, e era bastante.
Falar é tatear o nome do que se afasta.
Além da terra, há só o sonho de perdê-la.
Além do céu, o mesmo céu, que se alastra.
num arquipélago de escuro e de estrelas.
(Antonio Carlos Secchin in: Todos os Ventos - 2002 - Ed. Nova Fronteira)
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Romério Rômulo
"vejam bem ” ( para zeca afonso )
é difícil o caminho do corpo,
mais estranho é o caminho do pão.
são estradas, vieses malditos
repisados e feitos à mão.
as estradas do corpo, aventura,
velhas carnes postadas no chão
são estradas ardidas, agrura,
entranhadas no teu coração.
quando o vale da noite ensurdece,
acontece na vida um desvão,
todo o pão se resvala na noite
que te sobra na palma da mão.
romério rômulo, julho/2010
Romério Rômulo nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP. Prefaciou a primeira edição assinada das poesias eróticas de Bernardo Guimarães, “O Elixir do Pajé” (Dubolso, 1988), mais de 100 anos depois da edição original. Já publicou diversos livros, como “Só pedras no caminho pedras pedras só pedras nada mais” (Lemi, BH, 1979), “Anjo Tardio” (Edição do Autor, Ouro Preto, 1983), “Bené para Flauta e Murilo” (Edições Dubolso, Sabará, 1990) e a caixa “Tempo Quando” (contendo 4 livros em 2 volumes, Dubolso, 1996). Seu último livro é “Matéria Bruta” (Altana, SP, 2006). Atualmente, prepara um livro de poemas sobre o amor.
Contato: romerioromulo@hotmail.com
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Borgiana II
Repousa o veludo da pele
tigre selvagem,
nessa distante gleba
a qual chegastes por caminhos incertos.
Lembranças grisalhas, velho tigre ...
Compartilho teus dentes nada castos...
Restou-nos o passado...
E suas páginas
de bordas marcadas.
Sempre reviradas, velho tigre,
para não esquecer de outros dias.
(O que nos resta quando o orvalho se perde no esquecimento?)
Nas catedrais, teu ouro roubado.
Depois raspado dos pilares
para cobrir os dentes.
Como se sorrir dourado
os fizesse arremedo de gente...
(Quanto de tua mordedura permeia nossos sonhos?)
Não se traduz o mistério de tuas escápulas,
nem a névoa em teus olhos...
Quem sabe a milonga nos taquarais
ou tuas listras obliquas,
resistam ao imprevisível fim.
Tardam as horas ...
Cada expectativa tem teu cheiro.
E se esforça
para caber no poema.
Jorge Elias Neto
Vitória, 29 de outubro de 2010
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
CONVITE PARA LEITURA - PORTAL CRONÓPIOS DE LITERATURA BRASILEIRA
Convido para leitura do texto com poemas que
publiquei no Portal Cronópios de Literatura Brasileira.
Forte abraço para todos.
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4775
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Jorge Elias
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Íntimo
Ondas guardadas,
não devolvem o gosto de sal
aos lábios despidos
de lembranças.
Deixados sós,
os lábios,
não se desviam do destino.
Mas o súbito tranco
da cancela dos dentes
intimida o deslizar da língua.
Hóstias - estrelas
no firmamento
da boca -
aprisionaram o desejo.
O corpo se abre
e se fecha
à partir da boca.
Os lábios escancaram
um vermelho escandaloso;
e se cala.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Borgiana I
Atiro os cacos
do espelho partido.
Busco-os no chão,
onde as imagens já se dispersaram.
Com o que resta na moldura,
brinco de cortar os dedos,
encaixando respostas
no rosto trincado.
E se, no entanto, a figura
se assemelha ao medo,
remisturo todo
o ser desfigurado.
Pois a faina louca
de remexer segredos
fez-me encontrar as sombras
dos dias passados.
Jorge Elias Neto
Vitória, 05 de outubro de 2010
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
Despedida
nas flores que brotam
na boca da menina adormecida.
Mas a menina apenas dorme
com a ilusão do beijo
brotando entre os dentes.
Jorge Elias Neto
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domingo, 3 de outubro de 2010
Arquétipo – Um facho de luz sobre a sombra
só à luz dos acontecimentos internos que entendo a mim mesmo. São
eles que constituem a singularidade de minha vida".
Carl Gustav Jung
O que se dispersa além dos olhos
diz do vacilo de não se ter sorvido o tempo.
Estarei na ultima idade.
Quando ruir a biblioteca
não restará mais nada.
Sem nenhum escrúpulo, já estarei
a mijar nas calças todas as cervejas
que pensei esquecidas.
Aprenderei que não só a memória,
mas também a bexiga dos velhos,
despejam seus guardados...
E como ancião,
terei em meus ouvidos um ruído agudo
a dizer da morte ...
(esse crepúsculo atravessado na garganta).
Mas minha memória recente, sempre desatenta,
privilegiará as flautas de antanho,
olvidando a impertinência dos últimos segundos.
Saberei que retive com primor
uma certa dignidade burguesa.
Execrada nos versos.
Denunciada no franzir da testa.
Em minha face retalhada,
Será definitivo
o rendado da ironia.
Recearei de alguns saberes, sem dúvida.
Mas um cristão tardio, espero não ser.
Lembrar: não fechar o ciclo previsível de tantos homens.
Não me permitir, ao menos, essa contradição.
Jorge Elias Neto
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
O poema acima de mim
me restará apenas a última mentira.
Mas rente ao chão,
toda mentira resvala na inutilidade.
Jorge Elias Neto
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Desejo
Rasgo-te entre os nós,
para ver desfiar tuas esperanças.
Esvazio a palavra,
para te corroer as entranhas.
Busco assombrar-te em teus sonhos,
para assim te sugar a alma.
Em tí despejo os dejetos de minhas vidas,
para te ver culpado pela minha existência.
Grito enlouquecido as minhas trôpegas verdades,
para que se faça cruel o teu destino.
Imagino e sorrio como o falso profeta,
para te ensandecer com verdades distorcidas.
Uso a sedução dos demônios convictos,
para te assinalar o abismo das excrescências humanas.
Por fim te beijo.....
O marco final do falso testemunho do que me fiz por teu amor.
Jorge Elias Neto - 2005
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Lente
Lente
Era outono...
Duas meninas
deixaram suas casas para trás,
na lonjura da esquina.
Eram crianças...
No pires dos olhos
ainda não transbordara a mentira;
ela apenas rodopiava...
E, por não bastar o milagre
da inocência,
era outono...
(Rascunhos do absurdo - 2010)
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Caligrafia do bruto
Para Sakineh Mohammadi-Ashtia
Quem não tiver pecados que atire a primeira pedra!
Pedra atirada.
No ar,
uma réstia
da caligrafia do bruto.
Apedreja-se com força.
Quem sabe assim
desencarnam as frustações!...
Reconheço o homem na pedra.
Cada pedra trás seu nome.
A figura de um deus incompleto,
incoerentemente arremessada,
invalida a palavra: Humanidade.
Mas aqui,
neste instante,
em conformidade com os dogmas,
corrompe-se a alma,
deforma-se o molde.
A estranheza de lapidar o corpo.
A ironia de deformar o nome
do delicado gesto do artesão.
Garganta seca de suplicas.
Olhos vazados por lascas.
O ventre fendido
Já não tem fome de amor.
Despedaçado,
jaz o corpo da criatura humana,
jaz a beleza.
Sob o lençol branco maculado
pelo sangue dos opressores,
desfeito,
o arco dos lábios.
A mais terna face desfigurada.
Deixaram-na de lado;
é impura.
Já não se presta mais a prazeres
a carne macerada.
Jorge Elias Neto
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domingo, 29 de agosto de 2010
Luz e sombra, uma questão semântica?
Hoje sei que também a sombra se recolhe.
Resfria o solo
para o corpo que tomba,
no interminável instante
do anônimo suspiro.
O baque expande
as possibilidades da sombra.
Que se debate,
e rompe, deparando
num deslumbramento, com o Sol.
O paradoxo da despedida.
Parte se dispersa.
Parte se integra aos mortos.
A sombra debruçada
na mansarda da eternidade.
(Os ossos da baleia)
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Na paisagem doméstica
E se dissesse: fica ...
Varreríamos de vez nossas obscenidades,
ou deixaríamos estendido
Vê essas garrafas enfileiradas?
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domingo, 22 de agosto de 2010
Mário Faustino

O HOMEM E SUA HORA
Et in saecula saeculorum: mas
Que século, este século - que ano
Mais-que-bissexto, este -
Ai, estações -
Esta estação não é das chuvas, quando
Os frutos se preparam, nem das secas,
Quando os pomos preclaros se oferecem.
(Nem podemos chamá-la primavera,
Verão, outono, inverno, coisas que
Profundamente, Herói, desconhecemos...)
Esta é outra estação, é quando os frutos
Apodrecem e com eles quem os come.
Eis a Quinta estação, quando um mês tomba,
O décimo-terceiro, o Mais-Que-Agosto,
Como este dia é mais que Sexta-feira
E a Hora mais que Sexta e roxa.
Aqui,
Sábia sombra de João, fumo sacro de Febo,
Venho a Delfos e Patmos consultar-vos,
Vós que sabeis que conjunções de agouros
E astros forma esta Hora, que soturnos
Vôos de asas pressagas este instante.
Nox ruit, Aenea, tudo se acumula
Contra nós, no horizonte. As velas que ontem
Acendemos ou brancas enfunamos
O vento apaga e empurra para o abismo.
As cidades que erguemos, nós e nossos
Serenos ascendentes se arruinam
(Muros que escravos levantamos, campos
Ubi Troja - Nossa Tróia, Tróia! - fruit ...)
E no céu onde a noite rui só vemos
Pálidos anjos, livros e balanças,
Candelabros, cavalos, crocodilos
Vomitando tranqüilos cogumelos
Róseos de sangue e lava - bestas, bestas
Aladas pairam, à hora de o futuro
Fazer-se flama, e a nuvem derreter-se
Em cinza presente.- Vê, em torno
De mesas tortas jogam meus sonâmbulos,
Meus líderes, meus deuses. Como ocultam
As cartas limpas, como atiram negros
Naipes no vale glauco de meu sonho!
Erza, trazem mais putas para Elêusis
E hoje Amatonte é todo o vasto mundo:
Prostitutas sagradas! - Se esta carne
Demais sólida pudesse dissolver-se,
Derreter-se e em rocio transformar-se!
Príncipe louro, oh náusea, proibição
Do mais ilustre amor, oh permissão,
Oh propaganda santa do mais rude!
L'amor che move il sole e l'altre stelle
Aqui parou, em ponto morto. Nem
Cometas hoje aciona, ou gestos de
Ternura move rumo aos eixos trêmulos
De seres enlaçados; nem desperta
Encantados centauros de seu sono.
Amor represo em ritos e remorsos,
Eros defunto e desalado. Eros!
(...)
Aqui devo deixar-te, Herói. Retiro-me
Para uma ilha, Chipre, onde nascido
Outrora fui, onde erguerei não uma
Turris ebúrnea, torre inversa, torre
Subterrânea, defesa contra as pombas
Cobálticas, columbas de outro Espírito -
Torre abolida! No marfim que leves
Lunares unicórnios cumularam
Em cemitérios amorosos, eu,
Pigmalion, talharei a nova estátua:
Estátua de marfim, cândida estátua,
Mulher primeira, fêmea de ar, de terra,
De água, de fogo - Hephaistos, sobe, ajuda-me
A compor essa estátua; fácil corpo
Difícil Face, Santa Face - falta
O sopro acendedor de tua esperta
Inspiração... à noite, enquanto durmo,
128 Cava-lhe, oh coxo, o gesto e o peito, pede
À deusa tua esposa dê-lhe quantos
Encantos pendem de seu cinto. Phanos,
Phanos, imagens de beleza, chagas
Na memória dos homens... pede a Hermes
Idéias que asas gerem nos tendões
Das palavras certeiras - logos, logos
Carregando de força os sons vazios -
Dá-lhe tu mesmo, Fabro, o mel, a voz
Densa, eficaz, dourada, melopaico
Néctar de sete cordas, musical
Pandora de salvar, não de perder...
Orfeu retesa a lira e solta o pássaro.
Pronta esta estátua, agora, os deuses e eu
Miramos o milagre: branca estátua
De leite, gala, Galatéia, límpida
Contrafação de canto e eternidade ...
(...)
Vai, estátua, levar ao dicionário
A paz entre as palavras conflagradas.
Ensina cada infante a discursar
Exata, ardente, claramente: nomes
Em paz com suas coisas, verbos em
Paz com o baile das coisas, oradores
Em paz com seus ouvintes, alvas páginas
Em paz com os planos atros do universo -
(...)
Vênus fará de teu marfim fecunda
Carne que tomarei por fêmea, carne
Feita de verbo, cara carne, mãe
de Paphos, filho nosso, que outra ilha
Fundará, consagrada a tua música,
Teu pensamento, paisagem tua.
Ilha sonora e redolente, cheia
De pios templos, cujos sacerdotes
Repetirão a cada aurora (hrodo,
Hrododaktulos Eos, brododaktulos!)
Que Santo, Santo, Santo é o Ser Humano
Flecha partindo atrás de flecha eterna -
Agora e sempre, sempre, nunc et semper...
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Jorge Elias
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
Poema
Nada saberei dizer de tuas agruras.
A fenda obscura de teu beijo cala;
é ironia pura.
Disfarça a dura pele que trazes
a sustentar a boca
cariada de desejos.
Lembrarei apenas a distraída forma
que contornou certa manhã meus desencontros.
E percorreu-me afoita a alma,
e num enlace torto, desvendou meus medos.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Hilton Valeriano
O JANSENISTA
A promiscuidade dos séculos.
Estar morto e não sabê-lo.
PASCAL
Ser e não obstante sucumbir
ante razões que não justificam
a recusa de ser perecível.
CIRCUNSTÂNCIAS
Vês a aparente necessidade de todas as coisas?
Aceite-as em sua fragilidade essencial.
Acolhimento e recusa aguardam incautos andarilhos.
Vês a perplexidade de todos os fatos?
Aceite-os em sua precária alegria de ser.
Resignação e esquecimento aguardam altivos andarilhos.
Acaso reclamas os despojos de tua derrota?
Soma de nulidades!
Todas as circunstâncias são inelutáveis.
Hilton Valeriano. Formado em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Residente em Hortolândia-SP. Tem poemas publicados nas revistas Zunái, Germina, Sibila, Jornal de Poesia, Veropoema, A Cigarra, Diversos e afins. Edita o blog Poesia Diversa:http://poesiadiversidade.blogspot.com
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Jorge Elias
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
POMPEI

Foto: grávida - Pompéia
Revisito o silêncio das trevas.
Sonhos adormecidos,
desfeitos por gestos
que precedem a consciência.
Sigo nos séculos,
interrompido no ventre da mãe.
Restos calcinados,
dispersos, estremados,
entrecortados pelo espanto.
O Céu sabe das cinzas.
Sempre soube...
E aproveitou-se da inocência
dos que não me conheceram
para dizer que me negaram a existência
ao renegar o Deus, o Cristo.
O Céu, criação humana, é ilusório.
Não este céu furioso,
de fuligem e chamas;
este é terreno, pragmático,
irrespirável,
eficiente em devolver à Terra
suas entranhas.
Não este céu preciso,
entornando água,
moldando,
fazendo onipresente
o ventre que me gerou.
Estou onde não existo.
Persisto.
Desafio o intransponível tempo
nesse ventre vazio
que seu olhar disperso fita.
Parto contigo.
Em sua memória o calor da sombra que não fui.
Assim o caos, serenamente,
retingirá de verde o olhar baço.
Estou além do pretenso molde
que permaneceu guardado pela redoma de vidro.
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Jorge Elias
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
Os ossos da baleia (Fragmento)

XXIV
Eis a introdução não escrita.
Alijada da obra.
Pensá-la, virou um hábito de reinicio;
pausa no entreposto das suposições.
Passado?
Mas os tomates podres são de um vermelho tão sincero...
(do livro Os ossos da baleia – inédito)
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Jorge Elias
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1:52 PM
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terça-feira, 27 de julho de 2010
Silvério Duque

LÚCIFER
SOBRE UM POEMA DE MIHAI EMINESCU
à Cristina Nicoleta Mănescu, por sua história.
Sobrou de toda mágoa – e destas ânsias –
este anjo cujos olhos renasciam
entre os vôos que, nas asas, se insurgiam
por entre os céus sem fim e sem distâncias.
Ele girou em torno de seu rosto
num estertor de infinito que o nutria,
e, na manhã reescrita que o seguia,
vi a rosácea inconsútil de um sol-posto.
O anjo, de asas de sombra e luz que medra,
deixou seu nome em tudo quanto existe,
por ser, entre as estrelas, a mais triste.
Tudo que o anjo quis, perdeu na queda...
O ardor pelo que morre e o rosto terno
de alguém que se cansou de amar o Eterno.
(do livro Ciranda de sombras - inédito)
SONETO
Que sabes tu dos frutos, das sementes,
da dureza das flores contra o vento?
A aurora vem tragar a noite espessa
de onde brotou, sem dores, o teu grito.
Se a afirmação do amor nos aborrece,
morrer é mera vocação dos vivos,
pois, no morrer de tudo, há um recomeço.
Não queiras mal ao tempo ou ao espanto;
não queiras mal ao grão, à terra escura...
Que sabes tu das trevas ou da carne?
Que sabes tu das noites, dos princípios?
Hoje, é chegado o tempo dos retornos
e toda forma espera o seu ofício
como o vaso existente em todo barro.
(do livro A pele de Esaú - 2010)
SONETO
E o que eu adoro em ti é a tua carne,
porque tudo o que é vivo se deseja;
assim, desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo.
O que eu almejo em ti é a tua sombra,
pois toda boca habita as mesmas vozes
que hão-de tecer com gritos o teu nome
na tarde azul tragada pela noite.
Beijo o teu rosto como se existisse
algum lugar pr’além do Precipício,
e, junto ao gosto de teu lábio esquivo,
uma palavra, sobrescrita em sangue,
há-de adornar o verso em que eu me esqueço
e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.
(do livro A pele de Esaú - 2010)
SILVÉRIO DUQUE – Feira de Santana, Bahia, aos 31 de março de 1978. Sua primeira grande paixão foi a música, a qual exerce profissionalmente desde os seus 12 anos, participando, como clarinetista, das Bandas Filarmônicas 14 se Agosto e Maria Quitéria, na cidade de Tanquinho. Mais tarde, coordenará por certo tempo a escola de música da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense, em sua terra-natal. Após trabalhar como desenhista, restaurador e até mesmo como ajudante de mecânico descobre, bem antes de ingressar no Curso de Licenciatura em Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Feira de Santana, seu mais verdadeiro ofício: o Magistério. Sua primeira obra publicada foi o opúsculo O crânio dos peixes (Edições MAC/2002), seguindo-se de Baladas e outros aportes de viagem (Edições Pirapuama/2006). Entre um livro e outro, participou de concursos literários, periódicos, bienais e vários projetos musicais e literários. Foi primeiro lugar, na categoria Poesia, da 3ª edição do concurso literário Bahia de Todas as Letras 2007/2008, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus/UESC, com patrocínio da Fundação Chagas. Seu trabalho também é encontrado nas antologias: II Prêmio Literário Canon de Poesia 2009 e Concurso Feirense de Poesia Godofredo Filho, como em vários sites de Literatura espalhados pela Internet A pele de Esaú (Ed. Via Literarum/ 2010) é o seu mais novo trabalho e, segundo as palavras do próprio autor, sua “obra mais madura, até então”. Seu próximo livro, Ciranda de sombras está no prelo.
Blog: http://poetasilverioduque.blogspot.com
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Jorge Elias
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Alvorada

Há dias em que não amanhecemos. Somos ejetados da cama pela lembrança de nossas obrigações. Em dias como esses, confesso perder o senso do ecologicamente correto; demoro-me vaporejando pensamentos debaixo de uma ducha quente.
A pouca luz natural que se esforça em me lembrar que já é dia, é absorvida pelo negro dos azulejos. Lâmpadas apagadas; dia apagado.
São seis horas da manhã _ minto para meu reflexo no espelho.
Rapidamente a névoa recobre o ambiente e embaça o vidro do box. Nesse momento, parece que meu ciclo respiratório só se faz por expirações.
Aprendi a aproveitar para desenhar figuras na transitoriedade do quadro que se apresenta a minha volta: escrevo meu nome, desenho um boneco de cara alegre, faço um circulo perfeito, com um movimento rápido e egocentrado _ artifícios terapêuticos.
Recosto-me na parede e fico deixando a água corrente lavar a minha superficialidade.
Quando já não é mais possível manter-me ali, sem que trinque o relógio, conto até cinqüenta, desligo o chuveiro, e faço amanhecer o dia.
Jorge Elias Neto
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terça-feira, 20 de julho de 2010
PEDRO NUNES

SONETOS
III
O meu corpo é ausente do seu corpo,
meu amor: a noite apenas começa
e não é senão o anúncio da dor,
essa dor do furioso cio, etérea
dor. A noite não engana do amor
a fúria mal contornada, a eterna
angústia dos que debruçam famélicos,
sobre o éter, o desejo e o vapor
da nave que flutuou em azuis.
Da sorvência das horas vãs palavras
nada podem. É tudo furta-luz.
O amor prescinde de lavrar a pá
o perfeito verbo: tudo conclui
que o amor é um vento apaziguado.
Pedro J. Nunes é escritor, autor de Aninhanha, Vilarejo e outras histórias, Menino e A pulga e o jesuíta (Prêmio Secult de Literatura Infantojuvenil 2009, a ser publicado em breve). Site: www.pedrojnunes.tertuliacapixaba.com.br .
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
LAMPEJOS

Desenho: Isadora
Lampejos
O polegar inquieto de Darwin.
A caminhada ofegante de meu pai,
lembrando a loucura do bípede
(e um se [ ... ] que não o trará de volta).
Os mil nomes da beleza.
Uma reviravolta.
Deslumbramentos
e inércia;
sem remorsos.
O refúgio das ruas,
com suas casas e prédios
a dar sentido as calçadas.
Não suportarei perguntar sobre as sobras.
E minha filha a indagar sobre estrelas...
Quando nada se espera, só a ilusão desta taça de vinho.
Só o carinho das mãos de Isadora,
só essa falsa idéia
de continuidade –
que pesa nos ombros de meus filhos.
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Jorge Elias
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
4º aniversário da Diversos Afins - Edição especial - Convite

Prezados leitores:
Segue convite de Fabrício Brandão e Leila Andrade - editores da revista eletrônica Diversos Afins para leitura da edição de aniversário.
Parabéns e muito sucesso para estes amigos que tive a oportunidade de conhecer quando de minha visita a cidade de Ilhéus.
A 46ª Leva, através da exposição de escritores e artistas que integram nossa caminhada, tenciona prestar uma justa homenagem a todos os que, de algum modo, estiveram conosco em nossa infante existência. Saudamos a arte de Fao Carreira, Canato, João Colagem e Marco Angeli. Miramos um pouco de nós nas fotografias de Valéria Simões, Wellington de Medeiros, Antonio Paim e Ricardo Prado. Os poetas Neuzamaria Kerner, Jorge Elias Neto, Graça Pires, L. Rafael Nolli, Cássio Amaral, Ildásio Tavares, Felipe Stefani e Romério Rômulo nos ofertam seu lirismo. Nalgumas linhas de prosa, os contos de Roberta Tostes, Larissa Mendes, Rodrigo Melo e Alice Fergo percorrem densas vertentes humanas. A sabatina com o artista plástico Marco Angeli pontua os sensíveis diferenciais de uma carreira marcante. Bolívar Landi nos propõe olhares atentos ao filme argentino O Segredo de Seus Olhos. No Aperitivo da Palavra, um convite à leitura de Eros Resoluto, livro de contos do escritor Marcus Vinícius Rodrigues. Há muito mais nas entrelinhas do que podemos perceber e a cada leitor cabe uma particular e infinita conjunção de saberes e sabores. Agradecemos e saudamos a todos os colaboradores e parceiros e, em especial, aos leitores. Celebremos, pois, a vida e seus instigantes mistérios!
www.diversos-afins.blogspot.com
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Jorge Elias
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8:29 AM
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