quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Das sombras

Foto: Luis Henrique Borges


A sombra subsiste no oco
do tronco posto
à beira do medo.
Risonha e sínica,
desafia as mãos
a penetrar-lhe a boca,
intestinos – segredos.

(Uma voz rouca chama do silêncio.)

E mais tarde, então,
ouvindo o eco do nada,
a matéria frouxa,
caberá perfeita
em suas entranhas rombas.
Deixará para sempre,
o vazio das formas,
enveredando nas sombras, sem pavor, sem volta.
Sem amor,
sem pressa –
                       sem desejo.

                                   
Jorge Elias Neto 

2 comentários:

Mirze Souza disse...

JORGE!

Sou apaixonada pela SOMBRA, sua matéria, seu centro, e pela voz rouca, chama do silêncio.

Um poema perfeito onde a sombra é descrita no eco, nas entranhas e no vazio!

EXCELENTE

Aplausos!

Mirze

Jorge Elias Neto disse...

Olá Mirze!

No livro que estou finalizando inclui um capítulo: "Diálogo das sombras".
Também gosto imensamente deste tema.

Abraço,