quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cúmplice


Não trairia
esse dorso
por mais que pudesse

Deixei que o cheiro
perdido em sua nuca
retardasse o amanhecer.

Enquanto dormias
desfiz os gestos
de seus arroubos.

Não trairia
esse gosto
por mais que quisesse.

Já coloquei
todos os parênteses
em nossa existência.

A porta ficou fechada
para a monotonia
da brisa.

O sol aqui
desfiou a esteira sob a areia
para que queimássemos os pés.

Não trairia
esse gozo
por mais que esquecesse

Aprendemos juntos
a revirar as gavetas
e destronar deuses.

A tradição dos dias
tropeçou no tapete
da entrada de casa.

Não trairia
Esse rosto
por mais que envolvesse

Na casa
cada crime
vira papel de parede

Os filhos aprenderam
sobre a mentira
de alguns beijos.

Não desperdiçamos
intenções
no café da manhã.

Não trairia
esse furor
por mais que sofresse

Aprendi
a usar um olho
para revolver o chão.

Testamos a saúde
celebrando
verdades prematuras

Não sobra
espaço entre as mãos
que se apertam



Por essas bandas
a luz não veste
cor de monotonia.

Não trairia
esse momento
por mais que vivesse.



(Para não dizer que não falei...)

11 comentários:

Mésmero disse...

"Os filhos aprenderam
sobre a mentira
de alguns beijos."

Mas não seria a verdade um acordo entre dois mentirosos?

Sarah Vervloet. disse...

Gostei dos versos.

Parabéns.

Hanne Mendes disse...

Acho que você se superou, tô [quase] sem palavras!
Belíssimo o poema.

beijo.

Dauri Batisti disse...

Gostei da forma que você usou, da construção das frases... bonito.

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Lindo... lindo... lindo...
Não trairia seus versos...
Saudades
beijo

Educadora em Direitos Humanos disse...

Jorge Elias, poetamigo: acabei de fazer um pequeno comentário, mas desapareceu. Volto,novamente, pra confirmar minha admiração por sua poesia. Seu blog etá lindo. Muita obrigada pela visita e pelo link do meu blog na sua pagina também. Bjos de luz e paz em Nhande Rú também para todos que te acompanham. Meu abraço smpre, Graça Graúna

Jacinta Dantas disse...

Na cumplicidade da palavra, podemos nos encontrar. A poesia cria laços inimagináveis: não trai jamais.
Beijos no coração

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Oi meu querido
Estávamos esperand você chegar...
Pensamos em marcar nosso café-chá-refri-suco-etc... Qual o melhor dia/hora para vc? Não podemos deixar passar!
Eu, vc, Jacinta e Dauri,
beijo e ótima semana

Confucious disse...

Belas palavras para se meditar...
Gosto muito de poemas, pena não ter o dom para escrever tais versos. Certamente uma ótima leitura.

Abraços,
Confucious

http://escolha-dificil.blogspot.com/

livia soares disse...

Olá, Jorge.
Felicitações pelo seu blog e pela publicação na Diversos Afins.
São dois espaços que eu gosto muito de visitar, sempre me trazem
revelações.
Estou retomando o blog, retomando as visitas virtuais, retomando a minha vida na net, enfim.
Gosto de reencontrá-lo aqui.

Um abraço.

Opuntia disse...

A saudade de ler belos poemas me trouxe novamente ao seu blog. Aqui tenho sempre a certeza de encontrar qualidade poética.