quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

14 de Fevereiro, blogagem coletiva contra a pedofilia



Coito


Seu moço,
qual é mesmo seu nome?
Tá, tá bom!
(alguém entrou em meu beijo)

Essa vida de becos escuros,
bueiros fedorentos,
é uma merda,sabe?!
(alguém rasgou meus peitos)

Abro as pernas
pra ter o que comer.
Tô viciada, mas
tenho minha dignidade...
(enfiou em minhas coxas)

Te chamar de meu amor?!
Vai meu amor!

Dizer que sou sua puta?
Enfia na sua putinha,
Assim... assim...
Enfia nessa merda
de vida dessa puta!

Seu nome é Wanderley?!

Wanderley, deixa eu morrer Wanderley!

(Para não dizer que não falei...)

7 comentários:

Miguel Marvilla disse...

Rapaz! Que poema! Vc tá ousando cada vez mais com as palavras. às vezes, elas precisam ser cruas e rudes assim, pra mexer com nosso comodismo, pra acordar a indignação. Tem gente que acha que o problema só é seu se acontecer com seus filhos, sobrinhos, netos. Mas o problema é de todos e dele fazem parte o silêncio e a omissão.

Parabéns por tocar no assunto — e com poesia. Esse poema lembra (por definir cruamente, sem rebuscamentos, mas com enorme carga emocional, uma situação cotidiana que a maioria teima em querer ignorar) o poema de Manuel Bandeira:

O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

• • •

Um abraço. Sempre valem a pena as visitas (ainda que não muito constantes — e na maioria das vezes silenciosas) ao seu blog.

Miguel Marvilla disse...

E sobre o lançamento de Verdes versos? Precisamos conversar a respeito.

isabel mendes ferreira disse...

deus....como Te subscrevo.




em nome sim dos nossos filhos...
e de decência e da dignidade.


beijo com beijo....Jorge.


____________obrigada.

Maria disse...

leio-te. uma e outra e outra vez...
e subscrevo-te, com dor.

Um beijo

Jorge Elias disse...

É isso mesmo Miguel, alguns temas, merecem ser abordados de frente, com peito aberto!
Quanto ao poema de Manuel Bandeira, ainda me lembro a sensação que tive ao lê-lo pela primeira vez.
Quanto ao livro, tenho algumas pendências para resolver antes. Penso que na próxima semana iniciarei a organizar o lançamento.


Abraços,

Jorge

Jacinta disse...

É...
Essa "blogagem coletiva", de fato, faz a palavra estalar estalos
de indignação
de ação
de comprometimento
com o
- façamos a nossa parte - na defesa de nossas crianças.
Um abraço
Jacinta

Gi disse...

Faz-se tanta coisa e o tanto é tão pouco ... é matéria dorida e sofrida por todos os que amam as crianças , que não só as suas.
Crianças a quem muitos retiram a capacidade de sonhar. O pesadelo toma conta da realidade e a realidade é um pesadelo. Acredito que muito desejem a morte como no teu poema. Nu e cru. Como aqueles meninos, nus e inocentes. Por eles que a voz , dita e escria não se cale mesmo. também aderi à postagem colectiva se bem que parca de palavras como quase sempre.

Um beijo