quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Rubem Braga


Rubem Braga morreu às 11h30 da noite de 19 de dezembro de 1990. Estava absolutamente só em seu quarto – como exigira dos amigos e dos médicos que o atenderam. Suicídio? Eutanásia? “Suicídio assistido”, é o eufemismo mais utilizado, nesses casos.
Deixou-nos uma obra maravilhosa, uma prosa poética única, intimista, na qual tratava das pequenas coisas que nos circundam, as quais, cada vez mais, nos passam despercebidas. Uma homenagem ao nosso cronista maior.


Quintana, em seu poema-homenagem à Tolstoi escreveu que “ a morte é uma locomotiva que chega sempre pontualmente na hora incerta”...
Assim não o quis Rubem Braga.

Segue abaixo um trecho de uma de suas crônicas, citado na recente biografia cuidadosamente preparada pelo também capixaba Marco Antônio Carvalho.


Hoje venta noroeste, amanhã é lua cheia. Depois virão outras luas e outros ventos, mas isso também é fútil. Pois um dia as luas podem girar no céu e os ventos rodarão na terra com meiguice ou fúria, e isso não te importará, como, também, tudo o que foi. Por que, então, te afliges, agora? Que a brisa do mar invente espumas, e depois venham as chuvas frias, o sol e depois no céu limpo suba, imensa, a lua – não penses que isto tenha nada a ver contigo. Não existes. Nada tem a ver contigo.

(do livro – Rubem Braga – Um cigano fazendeiro do ar – Ed. Globo)

9 comentários:

Germano Xavier disse...

Se eu disser alguma coisa da palavra desse mestre eu vou, certamente, ser mais um.

Braga é imenso.

Abraço forte, Jorge.
Continuemos...

Kátia Campos disse...

Vim aqui por recomendação de uma amiga...e não quero mais sair.
Gostei! Vou voltar. Certeza absoluta.
Abração!

Jo Bittencourt disse...

Entre ventos e espumas, retorno. Será q ainda está de pé aquela seleção q me felicitou a fazer?!

diz q sim?

rs

Desse Rubem ñ sei muito, mas se fosse Fonseca...

Jorge, um abraço.

Dauri Batisti disse...

Andei relendo Rubem Braga. No meio do corre-corre é muito bom parar e ler uma crônica, ou duas, do Rubem Braga.

Abraço.

ediney disse...

Boa lembrança, a mortes que são delicadas e por isso mesmo tão belas que nem sentimos as dores ou a dor da perda...

Jacinta Dantas disse...

Ei Jorge,
gosto das letras desse homem. Hoje, até coloquei uma frase dele no cabeçalho do meu blog. É sempre bom!
Mas, mudando de assunto, que legal receber seu "telefonema" lá no florescer. Em alguns casos, é melhor que angipress.(rss)
Um abraço

Germano Xavier disse...

Abraço forte, Jorge!

Continuemos...

Mésmero disse...

Ainda não li nada dele.

Interessante o ocorrido na morte dele. Sobre Poe, os fãs também fazem esse tipo de dedução.

livia soares disse...

Caro Jorge,
muito oportuna a menção ao grande Rubem Braga. Fico feliz em constatar que vc segue firme com o blog e a poesia.
Um abraço.