quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Carta ao jovem Nietzsche


O fino trato
que despendes com tua escrita
não merece o desfastio
dos ascetas.

Poeta,
mantenha léguas
do itinerário dos justos.

O verso
que te arde as conjuntivas,
que faz suar as mãos sobre a mesa,
desgosta os santos.

Lembre-se que
gostariam de te estirpar
os olhos mas
te presenteiam com um sorriso.

Sempre soubestes
que poderias contar
com teus inimigos
(os bons e justos tudo temem)

Poderá existir alguém
mais fiel que um inimigo?

6 comentários:

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Profundo!
Sei que tenho inimigos, todo mundo tem, só não conheço... mas acredito serem os mais fiéis, porque vão seguir odiando até o fim! Triste constatação
Estou de casa nova, apareça quando puder.
beijo e luz

CeciLia disse...

Quanto tempo eu perdi, poeta, antes de conhecer a palavra tua aqui armazenada, de(le)itada sobre o écran que enfeitas com força e graça. Quero ler-te mais.
Abraço

Dauri Batisti disse...

A poesia encontra caminhos onde não se espera, descobre santidade em escombros e revigora-se no cálice dos justos, sem se arvorar em pureza. A poesia inventa e torna a inventar, muda e faz sentimentos novos de velhas sucatas.
Muita poesia pra você. Tudo de bom.

Jacinta Dantas disse...

Para mim, comentar um poema, é sempre uma tarefa difícil. Interpretar então, ah meu Deus. Então, fico com a beleza das palavras que dele vem, admirando e contemplando a sabedoria do poeta.
Obrigado por se deixar fazer em poesia.
Abraços

CRIS disse...

Também observo olhos que encantam com sorrisos, poeta. O inimigo é o amante mais fiel , sim.

beijão.

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Oi querido
Saudades... vou passar no hospital segunda de manhã...
pequena cirurgia (rs)
tudo em mim nunca é "normal", ainda bem!
Mas nada preocupante... quem sabe a gente não se encontra nas salas de cirurgia? rsrsrsrss
beijos