quinta-feira, 13 de março de 2008

Raízes


Era quase ódio
entornado
naquele olhar

lento. Lento
como morrer de câncer.

É que definharam os dias;
e a vida
não passou de provocativas raízes
que se alimentavam de culpa.

O que brotou,
brotou para dentro.

(Verdes Versos)

9 comentários:

Jacinta disse...

Nossa,
o coração acelerou em versos densos e tristes.
Olhar ressentido pode fazer o broto brotar para dentro.
Porque a vida pulsa, insiste...mesmo no olhar perdido.

Abração
Jacinta

Oliver Pickwick disse...

Amargo com fel, insípido como o desgosto; contudo, sombriamente belo.
Seus versos - nos últimos tempos, são como fio de navalha alemã em carne tenra.
Abraços!

Cafundó disse...

Lindo! Também tenho um poema entitulado Raízes. Palavra FORTE!
Parabéns!

Gustavo Felicíssimo disse...

Rapaz, tô aqui, ouvindo um allegro de Mozart, um contraste violento com este belíssimo poema. Ele é metafísico, mas vc parece ir no indizível sabendo o que dizer. Evhoé, poeta!

Jorge Elias disse...

Jacinta, Grande Oliver, Alyne e Gustavo,

Agradeço suas palavras.
Acredito no bem e no mal que nosso olhar para a vida pode nos causar fisica e emocionalmente.

Não posso deixar de comentar os textos do Oliver... Como se diz na Bahia : Que homem é esse!?

Anônimo disse...

obrigada poetamigo Jorge pela visita ao meu blog. Não estarei em Belô para o lançamento da Antologia ME 18, mas assim que eu receber meus exemplares reservarei um pra você. Que tal enviar seu endereço?
Enquanto isso, vou refletir as raizes da sua poesia. Com abraçares, Graça Graúna

Dauri Batisti disse...

Se brotou para dentro o que entornou do olhar o quase ódio seri que sentimento?
Abração.
Obrigado pela visita ao essapalavra.

Jorge Elias disse...

Dauri,

Essa é a grande questão...
Quem sabe o quase amor...

PiresF disse...

Meu caro Jorge Elias, os teus “Verdes Versos” não são verdes, quanto muito serão brancos, derramando cores a cada passagem que vão do vermelho sangue ao azul ainda não criado e, de tão livres, brincam com a métrica.

Confesso que foi uma grande surpresa. Não conhecia o teu blog nem tão pouco a tua arte, e por isso tive de ler uns quantos. Frui, especialmente, o “O Verde Psicografado”, aplaudi o “O Poema Começa Assim” e sorri com o “Tela”.

Voltarei, claro.

Desejo-te uma excelente Páscoa.

Abraço.