domingo, 13 de janeiro de 2008

SOBRE O QUE SE ESPERA...


Do Poema
Tudo se espera do poema.
Que seja o contraponto da realidade,
o remanso para o repouso do herege,
o inferno permitido para as paixões contidas.

No poema, o que se procura é o ar diferente
que se vai buscar no expirar delirante de um poeta.
Como se o poeta fosse só delírio...
O poema se fez da vida do poeta;
é ele que o espera.

Do Poeta

Nada mais que a diferença.
O ser quase divino que veio ao mundo
tocado pelos deuses.
O que não se percebe, ou pelo menos não
se quer perceber, é que ele só foi tocado pela
contradição humana.
Para quem muito espera do poeta-homem, vale o
conselho:
atenha-se apenas aos seus versos.
Ele é apenas o exemplo típico
da máxima de Nietzsche:
“A arte existe para que o homem não morra da
verdade”.

O que ele faz é apenas acreditar ser um poeta.
O que se deve esperar,
é que essa sua verdade realmente diga algo.

Do encontro entre o Poeta e o Poema

Que da simplicidade do artesão
resulte a palavra-arte.
E esta deixe para trás o homem
e siga sua trilha para a eternidade.

13 comentários:

Dauri Batisti disse...

Oi amigo,

passei para dar um alô e te desejar boas e frequentes inspirações.

Cris Caetano disse...

Acho que a poesia é a alma do poeta.

Olá, vim parar aqui através do blog da Maria (O Cheiro da Ilha) e foi um prazer.

Abraços

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Lindo! Lindo! Lindo!
Fantástico como você conseguiu colocar tanto sentimento em palavras...
Parabéns!
Como estão as coisas?
Saudades de você...
beijo

Jorge Elias disse...

Olá Dauri,

Obrigado pela visita.
Quanto as inspirações...bom...
estou aguardando um estalo da palavra.

Jorge Elias disse...

´Seja bem vinda Cris.

A poesia é a alma do poeta...
Deixemos o corpo cuidar do cotidiano.

Um abraço,

Jorge Elias disse...

Sabe Kátia,


Tento colocar nas palavras todas as contradições que me fazem humano.
As vezes consigo, as vezes não, muitas vezes me calo.

Oliver Pickwick disse...

Prezado Jorge Elias, poeta destemido e de inspiração rara, nesse post, professorando de modo irretocável sobre as artes poéticas.

Jacinta disse...

Pois é Jorge,
do poema se espera...
e eu, tenho na letra e na música um bom jeito de analisar minhas coisas.
E ontem, tomei emprestado o Cazuza com essa incrível letra e, claro, ouvi a música, várias vezes, na voz do Nei Matogrosso, utilizando-me da letra e da música. Então, é por aí mesmo:
Tomando Cazuza como Poema e o Nei como Poeta, quero respirar "o ar diferente" e imaginar que há de fato algo "divino que veio..tocado" por Deus.
Rapaz! e o seu poema é...esplêndido-divino-humano. É lindo
Um abraço
Jacinta

ivone disse...

desfaço_me da tristeza da tristeza sempre que toco a face do poema.

bj
ps: obrigada pelas pedrinhas na algibeira...

F. Grijó disse...

Retribuindo a visita, camarada.
Mesmo que tardiamente.

Gostei do texto. Geralmente a metalinguagem adicionada a tom confessional me entedia, mas, nesse caso específico, ficou honesto - e bem escrito.
Gosto dessas quase-definições do que vem a ser a poesia.
E sempre é inexata.
Abraço.

Cafundó disse...

Maravilhosos versos.
Retribuindo a visita e avisando que vou linká-lo ao meu. beijos na alma!

isabel mendes ferreira disse...

eu já não espero nada...a não ser as palavras daqui.


artefactos de grande transparência....que me sensibilizam. muito.



abraço.

(obrigada).

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Querido Jorge

Estava pensando, nesta madrugada insone, que vc não tem meu livro de poemas... precisamos consertar esta falha!
Como faço?
bejos