quarta-feira, 29 de julho de 2009

INTERJEIÇÃO


A ocupação daquele casebre
por Juarez, um pescador,
antecede o nome das águas.

Desde sempre brotaram peixes
das ranhuras daquelas encostas;
e a cada floração,
colhia-se o indispensável.

O Mar era uma planície alagada,
que derramava a cada entardecer
suas luzes no horizonte.

Nessa hora,
Juarez bebia do Mar
para saber da pureza.

Eram bons os presságios.

No encortinar do dia,
o homem de sal
despia-se do indecifrável das horas
e adentrava a choupana de sopapo.

Juarez tinha uma companheira -
diziam ser uma bruxa -,
roubada dos círculos de fogo.

Coxas firmes,
que iludiam os anos.
Pele clara,
que refletia o Sol.

Chamava-se mulher;
e isso bastava.

Diante dela,
o homem quedava-se e orava;
era sempre um desconhecido.

E a mulher
oferecia-lho a certeza da vida;
e era o bastante.

As palavras não lhes tomavam
o espaço dos corpos.


Mãos ásperas – acesas –,
curavam-se da brutalidade dos anzóis
no visco da fêmea.

O facho da Lua
iluminava os lábios da mulher,
que diziam o nome do gozo.

Sons da noite...

Assinatura perdida
da identidade humana.

Um comentário:

Vieira Calado disse...

Olá, amigo!

O seu poema é muito belo.

Gostei muito.

Um abraço.